terça, 23 janeiro 2007

Saúde, ambiente, educação e atividades produtivas e culturais, tem que agir de forma articulada e complementar no espaço local
Cresce, a cada dia, a consciência nas diferentes sociedades do planeta que a saúde individual ou coletiva, nas suas dimensões física, mental e social, está intrinsecamente relacionada com a qualidade dos ambientes que as cercam, desde os de menores dimensões, como lares, escolas e ambientes de trabalho, bairros, cidades, até aqueles de maior amplitude territorial, como regiões, continentes e até a própria Terra.
Essa relação tem-se tornado evidente para as sociedades, em face da sensível redução da qualidade ambiental verificada nas últimas décadas, conseqüência direta da ação do homem sobre o meio ambiente, no âmbito de processos produtivos que privilegiam o crescimento econômico em detrimento do social e de um meio ambiente sadio, agindo num contexto não sustentável.
A contaminação das águas, a poluição do ar das cidades e dos mares, o uso excessivo de produtos químicos e a elevação do risco à saúde humana, são alguns dos reflexos desse processo de degradação ambiental, com incontestável repercussão sobre a saúde individual e coletiva. Outros fenômenos mais recentes como o efeito estufa e a destruição da camada de ozônio, podem estar provocando sérias alterações climáticas no planeta, com risco de conseqüências catastróficas. Esses problemas são questões multifacetárias, cuja abordagem adequada supõe processos de retificação do modelo de crescimento com articulações no nível mundial, regional, nacional, estadual e municipal visando soluções multissetoriais e multidisciplinares.
A crescente preocupação por enxergar a participação da sociedade civil, num contexto de fortalecer os processos de descentralização, implica diretamente na forma de agir na solução dos problemas e desafios que enfrentam as cidades e povoados do Brasil. É neste cenário que se precisa ter espaço que promova o debate de ideais, criando-se novos paradigmas, com diferentes perspectivas, colocando o ser humano e seu entorno num plano central. Saúde, ambiente, educação e atividades produtivas e culturais, têm que agir de forma articulada e complementar no espaço local, o que implicam mudanças difíceis de ser aceitas passivamente.
O seminário ''Atenção primária ambiental e a estratégia de saúde da família: caminhos para a promoção da saúde'', organizado pelo Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Ceará (Cosems-CE), com participação de outras secretarias e organizações da sociedade civil, brinda a possibilidade de debater políticas e estratégias, que incorporando os princípios de promoção da saúde e da agenda 21, procuram planos de ação convergentes no nível local.
A “Organização Panamericana de Saúde” (OPAS) apóia esses processos, facilitando o intercâmbio de experiências e de conhecimentos e, nesse sentido, a estratégia de Atenção Primaria Ambiental (APA) reúne princípios e aspectos metodológicos que possibilita que os atores locais diagnostiquem e identifiquem os problemas socioambientais, construam soluções com participação interssetorial do governo, dos industriais, comerciantes e de organizações comunitárias.
A “APA” põe ênfase na revalorização do nível local. Procura a criação e consolidação de um nível primário ambiental, que permita fortalecer a gestão ambiental dos governos locais - através do fortalecimento das comunidades no âmbito da sustentabilidade local - e tem como objetivo geral alcançar as melhores condições de saúde e qualidade de vida dos cidadãos.
Autor: Dr Iván Estribí. Panamenho, é engenheiro civil. Mestre em “Planejamento Regional”. Pós-graduado em Planejamento Regional. Coordenador da “Área de Saúde e Ambiente da “Organização Pan-Americana de Saúde” e da “Organização Mundial de Saúde” no Brasil (Opas/OMS) Fonte: “O Povo” (CE) 2 de julho de 2002
Foto: veja na Galeria em “evento” internacional
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