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A História da Extinção do Pau-Brasil
sexta, 24 fevereiro 2006

                       

                                        

                                                                       

 

       A HISTÓRIA DA EXTINÇÃO DO

          PAU-BRASIL

           ( Terceira Parte  )

 

Em mapas, cartas, livros, regimentos, ordenanças, atos oficiais políticos e argumentos dos cronistas da época, constatamos que o nome do “BRASIL” , fundamentou-se neste primeiro ato desastroso do comércio de “pau-brasil”.

Assim, fomos batizados de: Ilha de Vera Cruz, Terra Nova, Terra de Vera Cruz ou do Brasil; Terra de Santa Cruz; Terra dos Papagaios; Terra do Pau-Brasil; Pindorama; Terra do Brasil; Terra de Santa Cruz do Brasil e, finalmente BRASIL... das frondosas florestas que desapareceram nas atrativas negociatas coloniais.

 

DO “TRATO” DO PAU BRASIL... ao mal trato mercantil.

 

                As expedições náuticas da época eram fascinantes como as viagens interplanetária contemporâneas.   Mas como recompor o início de nossa mal contada História?

 

Nossa correta opção foi a efetivação de uma apurada pesquisa documental, para levantar as verdades, escondidas ou perdidas nas brumas do tempo!

 

                De forma objetiva e sucinta, como um teorema matemático, afirmaremos os principais fatos relativos à nossa nobre madeira brasileira.  Sabemos que o conhecimento do pau-brasil remonta o século IX, por viagens dos árabes; e que o nome Persa “bakhan” foi traduzido para o “latim” como “bresilium”.

 

                As árvores de Sumatra tinham propriedades idênticas, tingindo de encarnado as lãs, algodões e sedas.   Nas alfândegas portuárias de Ferrara (em 1193) e em Módena ( em 1316), na Itália, acontecia a importação desta “droga” ( como era classificada ), denominada de brezil, bracire, brecillis, brasily, brazilis.

 

                Porém, já era comercializada, em torno do ano de 1140, em outras regiões, como Ceilão e Indonésia.  Além do mais, outra espécie “caesalpínia” ( a denominada “sappan” ) era encontrada nas Índias, Birmânia, Molucas, China e Japão, comprovando que a devastação ecológica foi global.

 

                A palavra “trato”, no idioma português, significa “compra e venda, negócios, comércio”. O rei de Portugal – D. Manuel – fascinado pelas viagens às Índias, logo após a descoberta “oficial” do Brasil, procedeu o arrendamento do país a um grupo de capitalistas ( integrantes de um consórcio de cristãos-novos ), liderados por Fernando de Noronha, Cavaleiro da Casa Real, em Lisboa.    No “Arquivo Histórico Português, na coleção de “Cartas de Quitação” del Rei Dom Manuel, estão arquivadas estas provas valiosas.

 

                Ademais, no livro “História da colonização portuguesa do Brasil”, no capítulo referente – “o comércio do pau-brasil” – (Volume II, das páginas 317 à 347), consta a informação baseada em documentos, manifestando quem era “o poderoso armador e comerciante” a quem D. Manuel concedera por três (3) anos a exploração do “pau-brasil”, a partir de 1502.

 

                Fernando Noronha  foi o primeiro arrendatário ou concessionário da exploração mercantil de nossa pátria.  Assim, começavam os mal tratos mercantis e, sobretudo, o massacre ecológico de nossos bens naturais.  

 

E este colonialismo, não está mais sofisticado em nossos dias?  A falta de cultura, educação e vida digna não torna um povo ecológicamente alienado?  Continuaremos devastando?

 

( DIÁRIO DA MANHÃ, Pelotas, RS - 26 /Agosto/ 1990  /    JORNAL da Manhã – Criciúma, SC)

 

 Dr. Gilnei Fróes - (Escritor técnico-científico, Ecólogo, Médico-veterinário)    Em 1990 – Premio de Jornalismo da Brigada Militar do Estado do RGS (com artigo: “TAIM: paralelo 33° ...ameaçado”  (Diário da Manhã – Pelotas / RS);

Indicação ao “The Rolex Awards 1990 (Genebra); e ao “The Global 500 Awards” (ONU / Kenya) Autor de livros: como “Dossiê da Amazônia”.  1° Premio do “I Latino Ambiental Awards”. Presidente do “ Instituto Bering Fróes Eco Global ” .  Autor de projetos ambientais internacionais.

 

 

 








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