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A História da Extinção do Pau-Brasil
sexta, 24 fevereiro 2006

A HISTÓRIA DA EXTINÇÃO DO

PAU-BRASIL

( Primeira Parte )

 

A partir de 1502 houve uma desenfreada exploração de “ pau-brasil ”.  Era um monopólio do Estado obtido mediante “concessões”.  Assim, no Brasil-Colônia, aconteceu a instantânea riqueza econômica de poucos e a eterna pobreza ecológica de nossas gerações. 

 

Se hoje – “pau-brasil” - é uma raridade, como serão todas as demais espécies em franca e rapidíssima extinção?   Espanhóis, portugueses, holandeses, franceses e ingleses enriqueceram graças a esta matéria-prima botânica.

 

Em 1859 este monopólio foi extinto, apenas em razão da devastação total da espécie, que existia do litoral do Estado do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Norte.    Porém, nas estatísticas de exploração, foi mantido até 1875, mudando seu código que era de “madeiras para tingir panos”, para “material de construção”, num atestado de que o jeitinho brasileiro para burlar a Lei é antiguíssimo. 

 

Indagamos: que significado teve para a Economia do Brasil esta ruinosa devastação ecológica?  E os prejuízos desta ignorância continuarão acontecendo em nossas demais espécies?         Em diferentes ecossistemas?    Nas demais florestas? ...até quando?

 

PROVAS DE UM DESCASO SECULAR

 

                 Nos capítulos do “Brasil-Reino”; do “Brasil-Império” e do “Brasil-República” a devastação ecológica – com machado e fogo – da famosa árvore litorânea “pau-brasil” (Caesalpinia echinata ), são um monumento ao descaso com o vegetal que, além de batizar o nome de nossa Pátria, nos confere a cidadania de “brasileiros”.   Também dá uma comprovação histórica de nosso desatino econômico-administrativo e de aviltamento da Soberania política. E o pior: o descaso com o saque e pilhagem de nossas fabulosas riquezas dos recursos naturais renováveis e não-renováveis... ainda continuam hoje, com os vorazes dentes das moto-serras.

 

OS MUITOS NOMES DO “PAU-BRASIL”

 

                Além da tradicional “ Caesalpinia echinata ”, os especialistas em botânica classificaram outras espécies, catalogadas de “Caesalpinia crista, férrea, microphyla, brasiliensis e pyramidalis”.

 

Entretanto, os índios já chamavam de “Oraboutan” (Arabutan), que significa “pau-brasil”, conforme afirmou em 1575, o escritor Thévet, no livro “ Cosmographie universelle ” (Livro XXI, página 549 – Paris).

    

                Outras tribos chamavam de “ibirrapitanga”, derivando-se corruptelas de “ imirá-pitanga, ibirapiranga e muirapiranga.” 

 

O imortal Luiz de Camões, em sua obra “Os Lusíadas” (Canto X, estrofe 140), o citou, dizendo... Mas cá onde se alarga, ali tereis / Parte também do pau-vermelho nota: Na Santa Cruz o nome lhe poreis.

 

Os nomes comerciais foram muitos: Bois-brésil (dos franceses); Brazil-Wood ( dos ingleses); brasileto, palo de brasileto (dos espanhóis); Fernambukholz, bresilienholz  ( dos alemães);  legno-rosso, pernanbuco,  legno del Brasile ( dos italianos ), e pau-vermelho, pau-de-tinta e pau-brasil ( dos portugueses), comprovando os muitos consumidores que encheram suas embarcações, por ninharias de contos de réis, transformando-se árvores nobres em dormentes para estradas de ferro dos países Europeus, construção de obras e essências vegetais.

 

(JORNAL DA MANHÃ, Criciúma, SC 19 março / 1990)    &   (DIÁRIO DA MANHÃ, Pelotas, RS 21 junho/ 1990)








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