terça, 07 fevereiro 2006
Quando morei na Bahia – nos anos 80 – vivia num paraíso ambiental muito igual à Índia e África: Arraial D’Ajuda, Porto Seguro. O “Arraial” era uma aldeia de pescadores. Todos moradores se conheciam. E a luz, só de lampião. Água de poço, bicas, mula carregando água pro sítio. E a educação, cultura e polidez ficaram de lado até saber que – se não beber, se não cozinhar ou tomar banho, - tudo fica pior! Depois, os primeiros sintomas das doenças da água... apareciam! Uma coleção de vermes e disenteria.
Mesmo assim, neste primitivismo aparente todos eram felizes, pois à noite era muita cantiga de roda, conversa fiada e forró, a base de luz de fifó. (lamparina)
Sem energia, não havia TV, nem notícias de crimes. E a vida parecia não passar.
Quem conhece a região, sabe. O turismo acabou a paz, e virou negócio. Meus amigos pescadores, abandonaram os barcos e abriram restaurantes vendendo “PF” (Prato Feito). E Porto Seguro, cresceu – internacionalmente – demais!
Em contrapartida, voltando ao Rio Grande do Sul, (Brasil) ao nadar na piscina do clube, nem pensava que um dia isso seria importante comentar. Mas, sempre havia água de sobra.
Já nos anos 90, em Bagé, a realidade mostrava as mudanças. Meu primo Mario Hilton, morava lá e – por numa crise de ano e meio sem água – foi protegendo, fervendo, filtrando e bebendo a água de sua piscina até o último balde. Depois, mudou-se.
Li nos jornais, em 2005, que Pelotas, dá sinais de secas. E, por ser “cidade dos alimentos”, com industrias de enlatados, depende d’água para sua sobrevivência econômica.
Campos de golfe irrigados, piscinas, e todo funcionamento da cidade são responsabilidades difíceis, que merecem um racionamento e muita Educação Ambiental à população de lá, daqui ou de acolá.
A água está sumindo! Seja em Cascavel, Criciúma, Salvador! Ou países de África. Ou na milenar China, Egito, Índia ou na Europa.
É claro que há os céticos! Estes que não acreditam em nada! Que também nada vêm e nada ajudam! Uns dizem que a engenhosidade e avanços do tecnicismo humano resolverão a problemática. Creiam! A quantidade de água circulante do Planeta é a mesma da “Era da Pré-História”. E pior: sem florestas que mantém os ciclos d’água. Sem governantes preocupados – por projetos ambientais e cientistas – nenhuma solução poderá ser criada, inventada ou descoberta.
Nosso organismo (...corpo) têm mais de 70% de água. Podemos viver até um mês sem comer, mas não mais do que 7 dias sem água. Então, para que envenenar? Desperdiçar? Ou poluir mananciais com coliformes? Ou química cancerígena?
Você acha que – sem lençol freático – encontrará água? Que basta cavar um poço?
Hoje volto à Porto Seguro. E onde a História do Brasil começou. Implantamos o primeiro “ECO pólo” do mundo, começando uma nova página ambiental na História do Planeta.
Dr Gilnei Fróes (Escritor técnico-científico, Ecólogo, Médico-veterinário, projetista ambiental.) Em 1990 – Premio de Jornalismo da Brigada Militar do Estado do RGS (com artigo: “TAIM: paralelo 33° ...ameaçado” (Diário da Manhã – Pelotas / RS). Indicação ao “The Rolex Awards 1990 (Genebra); e ao “The Global 500 Awards” (ONU / Kenya) Autor de livros: como “Dossiê da Amazônia”. 1° Premio do “I Latino Ambiental Awards”. Presidente do “Instituto Bering Fróes Eco Global” .
|