População Mundial:      Terras Produtivas: hectares
   
Farra do boi
quarta, 03 maio 1989

Boi de guia; boi carreiro; boi de ano; boi de cambão; boi de lote; boi de piranha; boi de quarta; boi de sela; boi de coice; boi de pé; boi marrequeiro. Todas estas expressões tem importantes significados de acordo com a utilização deste animal mamífero, ruminantes, da família dos bovídeos.

Ainda, conforme os aspectos relacionados às lendas, regionalismo e folclores, temos: boi-barroso, boi-bento; boi-calemba; boi-melão; que correspondem às variações do famoso “Bumba-meu-boi”.

Naturalmente, quem viaja pelo Norte e Nordeste de nosso país, poderá constatar o carinho que as pessoas dedicam em suas festas populares, onde o “Boi” é o artista principal. Por outro lado, ele está intimamente ligado à produção agrícola, onde o arado auxilia na semeadura da semente que dará alimento aos familiares e o sustento pelo lucro advindo da colheita.

Caso você viaje à “Índia”, lá constatará que as “vacas” são animais sagrados, constituindo o maior rebanho mundial, onde é proibida qualquer espécie de comercialização de carne bovina. Não é em vão que este povo tenha dado excelentes demonstrações de espiritualização e vibrações espirituais  para expulsar a dominação inglesa de seu território. A filosofia da “não-violência” apregoada por “Ghandhi”, foi vitoriosa.  Eis um exemplo ecológico-relogioso-cultural internacional. Dirão alguns: ...mas a Índia têm séculos de tradições DIREI: Como membros do 3° Mundo ocorrem muitas situações de fome e miséria lá,... mas não se mata nenhum boi. Há respeito. Há ordem, há lei.

 

Não aceito, - sob hipótese alguma – o argumento de nossa origem lusitana, que não época de nosso descobrimento era uma potencia Européia, destacando-se pela famosa “Escola de Sagres”, onde os navegadores podiam ser comparados aos astronautas russos ou norte-americanos. Navegar significava conhecimento, ciência, aventura, fama, ou... morte!

 

Hoje, constatar nas primeiras páginas de jornais e revistas internacionais, as notícias dos descasos ambientais ( Amazônia, Chico Mendes,  Farra do Boi ), são indignos, ultrajantes e vergonhosos para quem tem que usar o título de “cidadão brasileiro”.  Quando se denomina “o assassinato do boi” de cultura popular, isto bem reflete a falta de nível dessa cultura microscópica, invisível e ignorante de nosso povinho.   Além do mais, alguns noticiosos “dão   nomes aos bois” ( pessoas, associações, organizadores) desta estupidez permitida.  Este convite à violência (Futeboi em Araguari/ Santa Catarina), é um atestado da impunidade e da falta de sensibilidade dos que dispõem do Poder para vetar tais atrocidades. Chega de licenciosidades...

 

Cabe lembrar, pois, a “Constituição Brasileira” que diz no Capítulo do Meio Ambiente: “ Art. 225  Parágrafo 1° - Para assegurar a efetividade desse direito, incube ao Poder Público:   VII – Proteger a fauna e flora vedadas, nas formas da lei, as práticas que as coloquem em risco, de extinção ou submetam os animais a atos de crueldade”.

Não é preciso continuar...

( JORNAL DA MANHÃ, Criciúma, 03, 05 1989 – página 4)

 

Dr. Gilnei  Fróes Gestão Ambiental, Médico-veterinário, ecólogo, amazonólogo, coordenador do Programa  “SOS” Planeta Terra.  Em 1990, indicado ao “The Rolex Awards” (Suíça) e ao “The Global Awards 500” (Kenia) por entidades ambientais de SC e RS.  Premio de Jornalismo da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul, com o artigo “TAIM: Paralelo  33... ameaçado!” (Jornal da Manhã). Presidente do “Instituto Bering Fróes Eco Global”. 

 Autor de projetos ambientais internacionais. 

 






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