A importância do “Dia Mundial do Meio Ambiente” volta à mídia. O meio ambiente e a ecologia são desafios e preocupação global. Em 1866, o biólogo alemão, “Ernst Haeckel” realizou a criação formal da disciplina que “estuda a relação dos seres vivos com o meio ambiente”, ao batizar de “ecologia” esse ramo da biologia. Hoje, o dia é comemorado de maneiras ”sui generis” (passeatas de bicicleta, desfiles, paradas e/ou shows musicais de protesto, lançamentos de campanhas de plantio de árvores, proteção de nascentes e limpeza de rios, protestos contra poluição do ar, água e solos, palestras de educação ambiental), seja nas metrópoles ou vilarejos cuja infra-estrutura de saneamento inexiste.
Mas o principal foco é que o dia é aproveitado, em todo planeta Terra, para chamar a atenção política (local e internacional) para os graves problemas (das mudanças climáticas, aquecimento global, degelo das calotas polares, mortandade e extinção de espécies de flora e fauna, destruição da Amazônia e Pantanal, poluição dos rios e oceanos, guerras por água ou de testes nucleares bélicos, e total falta de apoio às ONGs) que contrariam os valores eco turísticos e biotecnológicos e existenciais da própria espécie humana. Há décadas, num púlpito invisível, chamamos atenção com alertas “SOS”, para a necessidade urgente de ações e realizações técnico - cientificas. Até a “Carta da Terra”e “Agenda 21” tornaram-se monumentos ao descaso ambiental.
Apenas a ausência de ar e água pura são temas ambientais que aproximam todas as pessoas – nas crises e colapsos - nesse planeta. Malefícios ecológicos ou desastres ambientais que afetam pessoas e coletividades, não trazem benefícios econômicos! Apenas custos ao Estado e perdas de vidas! A tecnologia da prevenção é proibida! Mas hoje é apropriado aos chefes de estado, reis, presidentes, secretários e ministros do meio ambiente fazerem declarações em fóruns, congressos, seminários, etc., dizendo que se comprometem a cuidar (local e globalmente) do planeta Terra.
Abraços, aplausos, vaias, almoços e solenidades, não passaram de mais uma “promessa” que se publica nos noticiários. Os ecologistas (sejam doutores, pós graduados, especialistas, pesquisadores) continuarão mendigando um espaço para provarem suas teses, experiências e projetos-pilotos, numa “via-crucis” pelo conhecimento das realidades e eco catástrofes, que sabem, vão acontecer.
Na realidade, os que nem conhecem o “be-a-bá” da complexa inter-relação da ciência ambiental, continuarão com as rédeas do poder, com as poderosas estruturas governamentais permanentes para lidar com gerenciamento ambiental e planejamento econômico, mas sem saber direcionar projetos que são capazes de dar vida sustentável ao planeta e seus habitantes. Esta é a realidade! A utopia de fazer de cada um de nós, cidadãos planetários, assusta desavisados e os despreparados da sociedade. E, (os vaidosos e arrogantes), para não dizer ignorantes, que não sabem fazer a nossa parte para a preservação das condições mínimas de vida na Terra, hoje e no futuro, serão os responsáveis por todos os desastrosos impactos ambientais irreversíveis. Bilhões de seres... morrerão! E as pandemias circulam!
É impossível, (sem investir na inteligência, em projetos com inovação, na criatividade apoiada na Ciência e Tecnologia ou Educação Ambiental) se promover mudanças para que pessoas – sem cultura, sem educação, nem qualificações científicas – possam entender, aprender e ensinar as gerações seguintes, que é preciso menos consumismo. De que o verbo “economizar” deve ser a palavra de ordem. O que dizer gerar eco soluções?! Qualquer paraíso de recursos naturais poluídos, degradados, com governos que vivem “deitados em berço esplêndido”, não sobreviverá sem projetos de cientistas ambientais.
Lembro que o Brasil é um dos raros países (paraíso de biodiversidade) apto a dispor de sustentabilidade planetária. Já fomos uma superpotência em recursos naturais. Hoje, “Dia Mundial do Meio Ambiente” registro que, se continuarmos “deitados eternamente em berço esplêndido” se ruma – depressa - para o caos ambiental!
DR. GILNEI FRÓES – Projeto “SOS” Earth Planet - www.ibfecoglobal.orgPublicado no Jornal HOJE, Cascavel em 31/05/2009